Ei, cadê você? É. Você mesmo. Não se esconda não, já cansei de te procurar por aí. Em cada buraco, cada esquina, cada beco você encara meu olhar e quando pisco você se vai. Será quem um dia vamos ter tempo suficiente para sentar e conversar? Para eu saber das suas cores favoritas, suas comidas, seus livros, filmes e piadas. Saber como anda a vida e se ainda faço parte dela. Está se tornando mais difícil os quilômetros de distância que nos atrapalham. A paciência já avisou que em breve irá partir e eu. Bom, eu tenho esperança que isso tudo acabe logo e que eu possa finalmente olhar pra você e dizer: finalmente a gente se encontrou. Mas nada pode ser tão simples assim não é? A vida sempre arranja um jeito de complicar. Pra quê? Não sei, mas talvez ela esteja curtindo com a nossa cara. Já perdi a conta de quantos textos escrevi só para diminuir o vazio que se instalou em mim. Perdi a conta de quantas vezes roí a unha, por ansiedade, saudade de você. Acho que nem me conheço mais. Não consigo controlar mais nada. Meus sentimentos agem por conta própria, sem permissão de partida. Meus desejos se tornaram desesperos e minha vida ficou de cabeça pra baixo. Virou uma confusão e agora não consigo mais me achar em nenhum lugar. Já estou nessa confusão a tempos demais. Ficar nesse ciclo cansa. Então, cadê você? Cadê os nossos planos? Nossas risadas? Nossos olhares? Abraços? Vontades? Me diga, cadê você?
Ana Carolina Machado

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